Candidato a deputado estadual pelo Novo surpreende lideranças de Luziânia e região ao registrar em documento que recursos públicos apoiarão apenas creches e assistência
A cinco dias das eleições, o candidato a deputado estadual Walter Roriz de Queiroz, o Waltinho (Novo), reuniu cerca de 250 pastores em Luziânia para a assinatura de uma carta-compromisso. O encontro, realizado na segunda-feira (28), busca reafirmar o apoio aos valores cristãos, mas surpreendeu os líderes religiosos do Entorno Sul quando o sétimo dos oito itens do documento foi revelado. Fugindo do roteiro político tradicional, a cláusula estabelecia uma restrição rigorosa ao próprio candidato quanto ao uso de verbas públicas.

O texto assinado determina que, caso seja eleito, qualquer emenda parlamentar ou recurso estadual destinado por Waltinho irá exclusivamente para iniciativas de impacto social, como creches, acolhimento de dependentes químicos, contra turno escolar e assistência a idosos. O documento proíbe expressamente o direcionamento desse dinheiro para atividades de culto e exige prestação de contas pública. A medida surpreendeu a plateia, formada por líderes de cidades como Valparaíso, Cidade Ocidental, Novo Gama e Águas Lindas, por ir na contramão das promessas sem limites comuns em épocas de campanha.
A leitura do item restritivo gerou um breve silêncio no galpão, rapidamente substituído por aplausos dos presentes. Ao justificar a decisão de separar o dinheiro estatal das celebrações estritamente religiosas, o candidato foi enfático. “Isso é o que respeita a igreja e respeita o dinheiro do contribuinte”, disse Waltinho. Entre os pastores, a avaliação foi de que a atitude trouxe um peso diferente ao palanque, pois o político gerou confiança justamente ao dizer abertamente o que não faria com o orçamento público.
Além da regra limitadora sobre as emendas, os outros sete pontos do documento reforçam pautas historicamente ligadas ao eleitorado conservador da região. A carta garante o compromisso de Waltinho com a defesa da vida, a defesa da família, a liberdade religiosa, o direito dos pais de educarem os filhos segundo a própria fé e a assistência espiritual em hospitais e presídios. O texto também promete simplificar o acesso das entidades cristãs às parcerias estaduais e assegura reuniões periódicas com os pastores durante todo o mandato.
O movimento evidencia uma estratégia focada no peso eleitoral do Entorno Sul, região que abriga quase um quinto dos eleitores goianos e sofre com o baixo índice de parlamentares eleitos. Ao recolher as assinaturas e deixar a carta sob a guarda das próprias igrejas, a campanha se apoia em uma capilaridade orgânica e de baixo custo. Diferente de um panfleto político descartável, o documento assinado coletivamente sela um compromisso formal e documentado, pronto para ser cobrado pelas congregações no dia seguinte à eleição.

