terça-feira, 15 setembro 2026
HomeCulturaCalor não apaga a arte: mais de 200 grafiteiros transformam bairro da...

Calor não apaga a arte: mais de 200 grafiteiros transformam bairro da Cidade Estrutural

O calor intenso que marcou o fim de semana no Distrito Federal não foi obstáculo para o FEST POVOS 2026. Mais de 200 artistas urbanos de várias partes do país e da América do Sul— entre veteranos, emergentes e novatos — se reuniram na comunidade Santa Luzia, na Cidade Estrutural, para transformar em arte as paredes de madeirite, os muros de alvenaria e os portões das casas locais.

Sob o sol forte, a criatividade floresceu a partir do próprio cotidiano da comunidade, com cenas de crianças brincando nas ruas, cachorros vira-latas e outros fragmentos do dia a dia inspiraram os murais coloridos. O evento também virou um grande reencontro — alguns artistas se surpreenderam ao encontrar obras suas preservadas quase uma década depois, quando participaram de edições passadas do FEST POVOS.

Houve ainda quem reencontrasse moradores, como no caso do artista Atax que, anos antes, pintara a fachada de madeirite da Casa da dona Neia e, agora, pôde criar uma arte no muro, agora de tijolos, da mesma residência. Mais do que pintura, o FEST POVOS 2026 foi uma celebração de confraternização, memória e pertencimento.

A troca de experiências também alcançou jovens, adolescentes e crianças, moradores da Santa Luzia, que participaram de oficinas e tiveram contato direto com a tinta spray e aprenderam na prática técnicas do grafite e da arte mural.

O idealizador Davi Di Favela exaltou a força coletiva do movimento Hip Hop. “É impressionante como a coletividade do Graffiti começa antes mesmo do encontro presencial. A disposição e o engajamento dos artistas, desde a expectativa e os preparativos para a ação, já demonstravam essa força. Os artistas doaram seu tempo, sua arte e sua dedicação à comunidade”, afirmou.

A artista colombiana Keich c:,  ressaltou o caráter comunitário e coletivo da iniciativa atribuiu ao trabalho uma forma de conexão entre pessoas de diferentes partes do mundo, reforçando a ideia de que a arte pode atravessar fronteiras e aproximar comunidades.

“E nada melhor do que, como participantes de uma sociedade, reivindicarmos e reapropriarmos identidades e formas de viver bem, utilizando ferramentas que historicamente desenvolvemos e que, ainda hoje, fazem parte de uma linguagem própria”, detalhou Keich.

Moradora da Cidade Estrutural há 20 anos e da Santa Luzia há 14, Vanessa Ferreira Dias, 39 anos, destacou o impacto do FEST POVOS na comunidade. Segundo ela, o evento transforma a paisagem, movimenta a economia local e oferece uma rara oportunidade de lazer e contato com a cultura.

Vanessa ressaltou ainda o entusiasmo das crianças com as oficinas e da preservação dos murais pelos moradores. “Os moradores ficaram satisfeitos com a transformação do espaço, que torna o ambiente mais agradável, pois já enfrentamos muitas dificuldades por aqui, como a falta de água, saneamento básico e infraestrutura”, declarou.

Fonte: Kezia

Relacionados
Publicidade

Veja também